Habituem-se

Do eterno Sebastião esperado e nunca desembarcado para consolação dos seus "fãs", de nome António Vitorino, ficará para a história da composição do actual XVII Governo da República esta frase/ameaça aos jornalistas: "Habituem-se"!

Como a ele se devem as linhas mestras do programa do partido que saiu vitorioso, e bem vitorioso, das últimas eleições, é suposto esperar que também o aviso premonitório do "habituem-se" faça parte do âmago e substância do estilo de governação do actual Primeiro-Ministro.
Mas essa é que é essa! A comunicação social desta vez, talvez por efeitos da seca que invadiu o país, não teve mais acesso a muitas fontes que noutras situações jorravam abundantes dicas para alimentar jornais, rádios, televisões e conversas.

Se fizer parte da estratégia do actual Governo preocupar-se mais com a substância governativa do que com a sua imagem junto da opinião pública, não caindo na tentação de ir avançando ou recuando na aplicação de certas medidas mais impopulares, conforme o tom da comunicação social, este "apagão" informativo que o Primeiro-Ministro provocou é um bom augúrio do que ele será capaz de fazer no futuro.
Será mesmo isto a que temos de nos "habituar"? Veremos...

Para já, e cá para as bandas da solidariedade e das Instituições que militantemente a ela se devotam, talvez tenhamos também de nos começar a "habituar" à ideia de que o novo ministro Vieira da Silva é um conhecedor do ramo, dada a sua carreira académica e prática governativa e, por isso, parte já em andamento sem ter de começar do zero, o que aconselha bastante atenção a "sinais" que não deixará de lançar, por ditos e escritos, a quem está ao serviço da Solidariedade, designada e particularmente às Instituições Particulares de Solidariedade Social, mais conhecidas, junto dos portugueses, por IPSS.

É muito provável que também ele dê substância ao profético aviso do "habituem-se" no que tiver a ver com as competências e práticas políticas do Ministério que vai presidir e tem por nome: Ministério do Trabalho e Solidariedade (espero que seja este, em definitivo, o verdadeiro nome).
Apenas uma dica para ajudar a enquadrar gestos e discursos: no programa do partido do Governo, apesar de haver algumas tímidas referências às ditas IPSS, o que mereceu especial ênfase foram as Organizações de Economia Social!
Esta trilogia: Solidariedade Social e Economia Social são formas de intervenção e conceitos a que devemos prestar especial atenção.

Esperemos que a Acção Social e a Segurança Social venham a completar o "arco" deste Sector, sobretudo no que se refere à política de financiamento das políticas sociais, e às formas de cooperação entre o Estado e estas Instituições.

"Habituem-se !" 

maia@paroquia-areosa.pt

 

Data de introdução: 2005-03-25



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...