ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Um problema sem solução?

Nos últimos tempos, a atenção dos Meios de Comunicação Social esteve de tal maneira concentrada no chamado problema grego, que a maioria dos europeus quase não deu pela realização de uma cimeira importantíssima, já que o seu objectivo era encontrar, finalmente, uma solução para a tragédia dos milhares de migrantes que, por mar ou por terra, pretendem chegar à Europa. E dizemos finalmente, porque, independentemente da solução que se procurava, esta já não chegaria a tempo de evitar o sofrimento e a morte de tanta gente que, em desespero, buscava no velho continente um porto de abrigo para fugir à fome, à guerra ou às perseguições.

Durante demasiado tempo, os governos europeus não deram, pelo menos à primeira vista, a atenção devida a um drama cuja dimensão se agravava a cada dia com o naufrágio dos muitos barcos que transportavam, em condições miseráveis, milhares de migrantes Foi então que o papa Francisco se deslocou à ilha italiana de Lampedusa, onde fez um apelo emocionado e emocionante a quantos têm responsabilidades políticas e sociais na Europa, no sentido de se encontrar e promover uma solução que pusesse fim, ou ao menos mitigasse, a dimensão do escândalo. Mas, para lá das manifestações de boa vontade que se fizeram ouvir, as semanas que se seguiram ao apelo do bispo de Roma deixaram no ar a ideia de que tudo continuaria na mesma. Mas tal não aconteceu, porque, felizmente, algumas decisões foram tomadas, embora haja motivos sérios para duvidar da sua eficácia plena.

As razões para este pessimismo são várias, mas a primeira e a mais grave tem a ver com a distribuição de todos aqueles que por terra ou por mar fogem em direcção à Europa.  Os membros da União aceitaram o princípio de uma distribuição justa de todos esses migrantes, mas nem todos partilham a mesma ideia dessa distribuição. Primeiro, porque alguns já suportam, há anos, as consequências sociais e económicas do afluxo contínuo de milhares de fugitivos, e não querem ser sobrecarregados ainda mais. Depois, porque outros não têm condições suficientes para garantir a sua empregabilidade, numa altura em que os seus próprios cidadãos se debatem na busca, tantas vezes desesperada, de um posto de trabalho. Finalmente, há ainda os que, tendo embora essas condições materiais, temem as reacções dos seus cidadãos, face ao que muitos consideram uma invasão de gente estranha. E não querem perder os seus votos.

Por todas estas razões, a distribuição pela Europa de todos aqueles que fogem do continente africano e do Médio Oriente afigura-se pois uma tarefa (quase) impossível.

António José da Silva

 

Data de introdução: 2015-08-06



















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