OBSERVATÓRIO DA DEFICIÊNCIA E DIREITOS HUMANOS

Faz falta uma estratégia para a inclusão de pessoas com deficiência

A coordenadora do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos, Paula Pinto, defendeu que "o país precisa de uma estratégia para a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade, em alternativa à institucionalização, muitas vezes a única resposta disponível".
"A investigação a nível internacional tem mostrado que há custos enormes para o Estado quando a opção é a institucionalização e que devolver as pessoas às comunidades e criar condições para que possam participar, estar incluídas e ser cidadãos de corpo inteiro, acaba por ter muito maior retorno para o Estado", disse Paula Pinto durante o seminário internacional sobre Inclusão e Direitos Humanos, organizado pela associação Inovar Autismo, no Pinhal Novo, concelho de Palmela.
"Falta ainda uma real consciencialização desta verdade, que não é apenas uma opinião, mas uma verdade científica comprovada", disse, acrescentando que a possibilidade de as pessoas com deficiência poderem pensar em projetos de vidas, com autonomia face à família, não só lhes permite a possibilidade de terem um papel ativo na sociedade como também liberta as famílias", referiu Paula Pinto, que apontou a Inovar Autismo como um exemplo neste domínio.
Mas se é necessário um plano nacional para a inclusão, na União Europeia é necessário um plano europeu para que haja mais equilíbrio na resposta dos diferentes estados-membros ao problema da inclusão, defendeu Pietro Cirrincione, vice-presidente da Autism Europe, organização que congrega todas as associações na área do autismo a nível europeu.
"Nós precisamos de um plano europeu para o autismo, porque temos alguns países da União Europeia que têm boas práticas e um bom conhecimento do problema do autismo, mas outros ainda estão muito atrasados na aplicação das boas práticas e políticas de inclusão [das pessoas com autismo na sociedade] à luz do conhecimento científico atual. Por isso precisamos de equilibrar para haver alguma uniformidade", sublinhou.
"Alguns países da União Europeia estão a fazer progressos, noutros estamos a tentar que o façam através de um trabalho em rede. Por exemplo, a Autism Europe está a encorajar a partilha de experiências. Temos associados de todos os Estados, mas precisamos de harmonização para sermos capazes de mudar a sociedade, para que as necessidades das pessoas com autismo sejam uma prioridade", acrescentou.
Pietro Cirrincione saudou o facto de Portugal ser um dos países que está a refletir sobre o problema da inclusão das pessoas com autismo e defendeu ainda que as "instituições têm de ser atores principais da mudança e ser capazes de exprimir as necessidades e as prioridades das pessoas com autismo”.
A Inovar Autismo, que organizou o seminário, está a desenvolver vários projetos no âmbito do Instituto Nacional de Reabilitação (INR), todos com o objetivo de construírem alternativas à institucionalização de crianças e jovens, com apoio personalizado e uma preparação prévia dos setores da sociedade que vão acolher as pessoas com deficiência.

 

Data de introdução: 2018-10-21



















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