IGUALDADE

119 queixas em 2007 por actos discriminatórios com pessoas deficientes ou com risco agravado de saúde

A prática de actos discriminatórios com pessoas deficientes ou com risco agravado de saúde como, por exemplo, a recusa de venda de imóveis ou de celebração de seguros, originou 119 queixas nas entidades competentes, segundo um relatório oficial. O elevado número de queixas de práticas discriminatórias na área dos seguros, das acessibilidades e do emprego evidencia que são estes os sectores onde as pessoas com deficiência e risco de saúde agravado mais encontram obstáculos.

Este é um dos dados do primeiro relatório do Instituto Nacional para a Reabilitação sobre um ano de vigência da lei 46/2006, que proíbe e pune a discriminação em razão da deficiência e do risco agravado de saúde.

A aplicabilidade do diploma vincula todas as pessoas singulares ou colectivas, públicas ou privadas, quando ocorre uma situação de discriminação directa, ou seja, sempre que uma pessoa com deficiência é objecto de um tratamento menos favorável.

Do total de 199 queixas apresentadas, 38 foram encaminhadas, 67 arquivadas e 14 estão ainda a decorrer.

Ao Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) foram apresentadas 37 queixas do total de 119 e outras 82 foram recebidas directamente nas entidades com competência para a instrução de processos. Uma parte significativa destas 37 queixas está relacionada com a recusa ou o condicionamento de venda ou arrendamento de imóveis bem como com o acesso ao crédito bancário para compra de casa e com a recusa ou penalização na celebração de contratos de seguros.

Em 16 por cento das queixas apresentadas ao INR, o motivo prende-se com a recusa ou limitação de acesso a estabelecimentos de ensino públicos e privados e com discriminação no trabalho.

Das 37 queixas recebidas no INR (a maioria contra entidades privadas), 22 foram encaminhadas e 15 foram arquivadas.

Já no que respeita às 82 queixas recebidas directamente nas entidades com competência para a instrução de processos - Provedoria de Justiça, Instituto de Seguros de Portugal e Inspecções gerais de Saúde, Educação, Justiça e Administração Interna -, 16 foram encaminhadas, 52 arquivadas e 14 ainda estão em curso.

Destas 82 queixas, metade está relacionada com a área dos seguros, seguida pela das acessibilidades (27 por cento das queixas), da área da saúde (07 por cento), educação (05 por cento) e transportes e trabalho (04 por cento).

O relatório refere nas conclusões que apesar da igualdade dos cidadãos ser um direito fundamental consagrado na Constituição Portuguesa e na legislação de 2006, existe ainda uma falta de sensibilização das entidades (públicas e privadas) envolvidas para estas temáticas.

O documento refere que as 119 queixas são um número reduzido o que evidencia, de alguma forma, uma falta de sensibilização das pessoas com deficiência ou risco agravado de saúde.

O relatório realça ainda que há um reduzido número de queixas apresentado directamente pelas associações representativas de pessoas com deficiência: apenas três o fizeram.


03.07.2008

 

Data de introdução: 2008-07-03



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...