Portugal: um grande desafio

A revolução de Abril foi precedida de muitas mensagens em “código” para fintar a então PIDE (polícia secreta). Tais mensagens visavam a intervenção político/social junto da opinião pública em ordem à sua mobilização para “mudar Portugal”!
Dessas mensagens constava também uma música com estes dizeres: “vemos, ouvimos e lemos; não podemos ignorar...”

Ao ouvir a presenciar tudo o que, a pretexto do famigerado défice, se tem vindo a anunciar, julgo que, hoje como então, o “não podemos ignorar” constitui uma interpelação à consciência de cidadania de cada um de nós, interpelação que não nos pode deixar indiferentes!

Não poderá o povo, cansado de promessas eleitorais nunca cumpridas, de calotes colossais(na forma sofisticada de défice) que o Estado se habituou a contrair sem lhe dar cavaco, enviando-lhes agora pesadas facturas na forma de impostos sobre tudo e todos... entrar em depressão!

Portugal é, neste momento, um DESAFIO.

Desafio aos decisores políticos: para que tenham a capacidade para se meter no pele do povo e utilizarem uma adequada pedagogia política na construção, no anúncio e no acompanhamento das reformas que entenderem necessárias para salvar as finanças públicas sem asfixiar as pessoas.

Desafio à comunicação social: para que faça de verdadeira sentinela junto de quem governa para reclamar o cumprimento e a coerência das medidas anunciadas com a prática da governança, como agora se diz. As televisões, sobretudo elas, para além de se assumirem como sentinelas, deverão encontrar formas criativas para colaborar neste grande desafio através de programas e iniciativas de educação comunitária, de formação para a cidadania, de valorização da dimensão ética, solidária e de responsabilização social em relação à construção do nosso presente e futuro colectivos!
Uma certa forma de comunicação social que privilegia o escândalo em vez da informação objectiva, que faz a apologia do “bufo” em vez de cultivar o sentido de responsabilidade, não andará a deseducar o povo?

Desafio às escolas e universidades: para que tenham a inteligência e a ousadia de MUDAR muitas das suas práticas educativas, de forma a que os jovens a apreciem e gostem dela!

Desafio às famílias: para que se lembrem de que os filhos são seus e, embora outras instituições colaborem na sua educação, é sempre a eles que compete a responsabilidade maior pelo seu desenvolvimento e pela sua felicidade.

Desafio às IPSS: para que aprendam a abrir os olhos para as novas pobrezas e exclusões que se cruzam nos seus territórios de intervenção social e encontrem formas inteligentes, criativas e eficazes para ir de encontro a quem vai ficando abandonado, ferido, em solidão e pobreza nas bermas e nas margens das estradas do “sucesso” !

No meio deste vendaval de mudanças em que o Governo vai reafirmando que o Estado social saberá assumir as suas responsabilidades, talvez não fosse má ideia as Instituições Particulares de Solidariedade Social, de forma organizada e envolvendo os seus dirigentes, trabalhadores, as pessoas acolhidas nesta Instituições e os seu familiares, o interpelarem sobre as suas políticas sociais, tentando saber o papel que está reservado às IPSS no desenvolvimento dessas políticas, em que condições, com que regras de cooperação.

Como diz o bom povo, às vezes, deixar para mais tarde pode vir a ser “tarde demais”!

maia@paroquia-areosa.pt

 

Data de introdução: 2005-07-08



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

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PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

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