NACIONAL

Escravatura sexual aumenta

Vêm à procura de uma vida melhor num país desconhecido e acabam envolvidas na rede de tráfico para exploração sexual. Cláudia Berjano, da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, a participar num debate organizado pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres que decorreu na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, defende que a maioria «vem ao engano» e iludidas «com falsas promessas», muitas vezes induzidas por alguém que consideram de confiança.

Estudos recentes indicam que novas vagas de tráfico de mulheres estão em desenvolvimento, com as brasileiras a assumirem, em Portugal, um papel destacado. Aliás, no primeiro semestre de 2005, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve 289 mulheres ilegais, 79% das quais de nacionalidade brasileira, maioritariamente destinadas à exploração sexual, conforme noticia o Diário de Coimbra.
Já no que toca às redes da Europa de Leste, a angariação destina-se, sobretudo, à mão-de-obra, ainda que o negócio do sexo esteja a ganhar proporções. Depois, há ainda a considerar os «casamentos forçados», com as cidadãs da Macedónia a serem as mais procuradas, salientou Cláudia Berjano.

A psicóloga acrescentou ainda que «os números são a ponta do iceberg», especialmente porque as vítimas «têm medo de falar», devido a ameaças. Não é apenas a própria vida que as preocupa, salienta, pois os traficantes fazem questão de lhes lembrar que, caso quebrem as regras, a família, que ficou no país de origem, está em risco.
Uma vez introduzidas na rede, quem as controla retira-lhes os documentos, dominando-lhes todos os passos, desde as refeições ao local onde moram.
«Fragilizadas, ficam mais sujeitas à acção dessas vagas de tráfico», continuou a técnica da Plataforma, entidade que desenvolve, desde Maio, o “Ponto de Contacto: Género!”, um projecto que visa apoiar as ONG locais de mulheres e preparar candidaturas a apresentar à Comissão de Igualdades e de Direitos das Mulheres.
A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres não quer deixar as vítimas ao abandono, por isso a sua missão prioritária é «proteger estas mulheres e possibilitar a sua autonomia».

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Data de introdução: 2005-11-26



















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