DESENVOLVIMENTO

Não há coordenação na ajuda aos países pobres

A Comissão Europeia propôs, em Bruxelas, medidas para aumentar a coordenação da ajuda comunitária ao desenvolvimento dos países mais pobres de modo a contrariar a "fraca" concertação seguida por Estados-membros, como Portugal.

Actualmente "há uma má utilização de recursos por falta de coordenação entre os Estados-membros", existindo mesmo países que "não têm representações em todos os países parceiros" da União Europeia (UE), disse o comissário europeu Louis Michel, responsável pelo Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, em conferência de imprensa.

Só na Tanzânia, cada ano são realizadas 800 acções de doadores, sem existir qualquer coordenação entre as mesmas, o que "constitui grandes encargos administrativos", exemplifica o comissário. As medidas propostas passam por estabelecer um plano de trabalho operacional que "transforme os compromissos em actos concretos com um horizonte temporal de 2007", explicou.

A proposta prevê também a criação de um "quadro comunitário comum" para programar a ajuda ao desenvolvimento e para organizar a vigilância dos desempenhos dos 25 em relação aos compromissos de ajuda estabelecidos.

Estas medidas, que visam permitir que a ajuda da UE se torne "mais visível e mais eficaz", inserem-se no objectivo comunitário, assinado em 2002, em Monterrey (México), de alcançar uma ajuda pública de 0,7 por cento em 2015.

As propostas apresentadas irão ser discutidas pelos 25 Estados-membros e pelo Parlamento Europeu em Abril deste ano, antes de serem aprovadas. Para apoiar essas medidas, o executivo comunitário lançou, também hoje, um "Atlas dos doadores da UE 2006" que apresenta uma cartografia da assistência comunitária em todo o mundo e uma análise específica das formas de ajuda de cada país da UE, que permitirá facilitar a distribuição de tarefas entre os 25 Estados-membros.

Segundo o Atlas, Portugal apresenta uma "fraca" coordenação dos seus apoios com os outros países da UE e concede 94 por cento das suas ajudas ao desenvolvimento ao orçamento dos países pobres, descurando o papel das organizações não-governamentais (ONG) nesses países.

A Comissão Europeia relembra, no entanto, que Portugal foi o quinto país da UE que concedeu mais ajudas públicas ao desenvolvimento dos países mais pobres em 2004, ao destinar 1.031 milhões de euros, sobretudo aos países lusófonos: Angola, Cabo Verde, Timor-Leste, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Estas ajudas corresponderam a 0,63 por cento do Rendimento Nacional Bruto (RNB) em 2005, ultrapassando a meta de 0,51 do RNB a atingir apenas em 2010 por cada um dos 15 antigos Estados-membros.

02.03.2006

 

Data de introdução: 2006-03-06



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Estado e Sociedade - complementaridade e cooperação
As relações entre o Estado e as diferentes Organizações da sociedade civil têm sido alvo de muitos debates, mas permanecem em muitas mentes algumas...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Creche gratuita: o compromisso cumpre-se com vagas
A gratuitidade das creches é um compromisso político forte com as famílias e, para muitas delas, uma esperança concreta. Mas só é real quando se traduz numa vaga...