PRISÕES

Três em cada quatro sobrelotadas, cinco com mais do dobro capacidade

Três em casa quatro cadeias portuguesas estäo sobrelotadas e cinco delas com mais do dobro da sua capacidade, segundo dados da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP). Dos 53 estabelecimentos prisionais existentes no país, 36 apresentam uma taxa de ocupação acima dos 100 por cento e cinco acima dos 200 por cento (Angra do Heroísmo, Castelo Branco, Portimão, Viana do Castelo e Setúbal).

O caso mais complicado é Portimäo (242,9 por cento de ocupaçäo), que deveria ter 28 reclusos e a 01 de Julho estavam presas naquele estabelecimento 68 pessoas.

Numa altura em que o Ministério da Justiça estuda o encerramento de duas dezenas de cadeias, alegando racionalizaçäo de meios, a estatística da DGSP demonstra que há sobrelotaçäo de reclusos nas cadeiras centrais, especiais e regionais, situando-se a média nacional de ocupaçäo nos 104,8 por cento.

Entre as 17 cadeias centrais, há excesso de presos em oito delas: Porto, com 128,5 por cento e Alcoentre com 119,5 por cento säo os casos onde a sobrelotaçäo é mais evidente. As cadeias do Linhó, Caxias, Coimbra, Lisboa, Pinheiro da Cruz e Santa Cruz do Bispo também têm mais detidos do que a sua capacidade permite. O cenário nas 32 cadeias regionais é idêntico, sendo que 27 têm lotaçäo esgotada e cinco delas duplicam a sua capacidade. Em contraponto, a taxa de ocupaçäo mais baixa é a do Hospital Psiquiátrico de Säo Joäo de Deus, com 12,3 por cento de ocupaçäo.

Os dados mais recentes mostram que a 01 de Julho estavam presas nas cadeias portuguesas 12.731 pessoas, das quais 2.271 preventivamente.

O Governo prepara-se para anunciar novidades sobre as prisöes, com a elaboraçäo de um novo mapa dos estabelecimentos prisionais, que irá reorganizar a estrutura das cadeias, fechando umas e abrindo outras, numa lógica de gestäo e racionalizaçäo de meios humanos e materiais.

O novo director-geral dos serviços Prisionais, Rui Sá Gomes, 46 anos, é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa e ultimamente desempenhava o cargo de director de serviços em área operacional do Serviço de Informaçöes e Segurança (SIS).

29.07.2006

 

Data de introdução: 2006-07-30



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...