FAMÍLIA

Europa em crise de natalidade destina em média 2% do PIB para apoios à família

A Europa, um continente envelhecido e a atravessar uma crise de natalidade, destina em média apenas dois por cento do PIB em apoios à família, segundo um estudo divulgado. O documento apresentado no Parlamento Europeu foi elaborado pelo Instituto de Política Familiar (IPF), uma que se autodefine como civil, independente, não vinculada às administrações públicas, partidos políticos ou organizações religiosas e que nasceu em 2000.

Segundo o IPF, apesar da sensibilidade para a problemática da família ter vindo a crescer na União Europeia, a Comissão Europeia não tem um comissário para as políticas familiares, nem um Observatório da Família nem um Livro Verde da Família.

Em termos orçamentais, acrescenta, a Europa destina 28 por cento do PIB a gastos sociais dos quais apenas dois por cento se destinam à família. Mas quer num aspecto quer noutro existem grandes diferenças entre países e existe uma clara correlação entre a ajuda directa às famílias e o número de filhos pelo que países com maior ajuda têm maiores taxas de fertilidade.

Há países que colocam a família como uma prioridade, destinando ajudas muito acima da média europeia enquanto outros se destacam por conceder poucas ajudas. Dinamarca, Luxemburgo, Alemanha, Suécia, Finlândia e Áustria destinam acima de 3 por cento do PIB, 40 por cento mais que a média europeia (2,1 por cento) enquanto Polónia, Malta, Espanha, Bulgária, Lituânia, Itália e Portugal concedem apenas 1,2 por cento do PIB.

Estas diferenças, segundo o relatório, estão a criar famílias europeias de primeira e de segunda categoria. Uma família com dois filhos recebe no Luxemburgo uma prestação de 471 euros por mês, na Alemanha 308 euros, na Irlanda 300 euros e na Bélgica 274 euros enquanto a mesma família recebe 32 euros na Polónia, 25 euros na Letónia e 23 euros na Bulgária, mas apenas se auferir um rendimento muito baixo.

Em Portugal, Itália, Malta, Eslovénia, Republica Checa, Espanha, Polónia e Bulgária os critérios de atribuição de prestações familiares são tão restritos que a maioria das famílias não tem sequer acesso a este apoio.

Contudo, acrescenta o IFP, em 2007 houve um esforço importante de países como a Polónia, Letónia e Lituânia para aumentar as ajudas familiares.

O Instituto de Política Familiar propõe que em cinco anos todos os países destinem, no mínimo, 2,5 por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB) em gastos sociais para a família, a universalização das ajudas.

08.05.2008

 

Data de introdução: 2008-05-08



















editorial

Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população (I)

O caminho da consciencialização pública e política sobre a necessidade de um Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população, cuidando do envelhecimento ao longo da vida, tem já um longo...

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Por uma democracia melhor
Vivemos num regime democrático. Este modelo de governação não é novo. Remonta aos tempos da Grécia Antiga. Não sendo, ainda, um modelo perfeito, é...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

PSU: um regresso à inserção ainda por confirmar
Volto ao tema da Prestação Social Única, que tratei no artigo anterior. A simplificação dos apoios sociais é, em si mesma, uma boa ideia. O problema estava —...